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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Obviedades

As coisas são simples?
Ou a simplicidade simplesmente não existe?
Queremos tudo fácil, só com um poquinho de trabalho, mas tudo aquilo que pode ser rápido resolvido, normalmente transformamos em difícil e logo, muitas vezes destruído. Se pararmos pra pensar nas coisas a vida inteira é uma matemática, assim como 2+2 são 4, o cachorro é o cachorro e o gato é o gato. Se eu gosto de melância devo então me alimentar dela? Se for boa e madurinha, é dela que nutrirei meu corpo e matarei minha fome, mas se eu não gostar de abobrinha? Então é melhor nem arriscar meu paladar cansado.
A vida não é óbvia, acabou se tornando uma grande equação sem fim, mas tudo que puder somar e ter um bom resultado, é tudo isso que quero pra mim.

"sem título"

Quero encontrar a luz brilhante de teu olhar,
encontrar o aconchego de um lar,
me aquecer com o ardor do chorar.

Quero entender os cabelos grisalhos que há,
que refletem o chão, o andar,
o chão que eu sigo no meu caminhar

Me mostra sua história
acrescente páginas extras
me deixa
me deixa reger essa orquestra.

Noite

A noite nem tudo se esconde, sob o luar acorda outra manhã, uma manhã serena cujo brilho não vem do fogo, vem do diamante, suspenso no ar.
Olhos se revelam e outros sons aparecem; há uma vida inteira na noite que não exploramos e há também um toque de ilusão nesta noite que esconde e ao mesmo tempo revela.
Mas é preciso ter olhos atentos, pois a noite é um outro mundo vasto e ludibriante, é preciso receber o sereno como um cobertor aconchegante, a espessa nuvem embreagante sob a escuridão que ilumina outros seres, outros sentidos e é fria, porém aquece os corações.

Comparações

As folhas em branco são como a noite, têm um certo brilho e mistério fascinantes. A primeira vista não se vê nada, mas se olhar atento pode ver o infinito.
Tudo cabe nelas, não há limites, não há absurdos, podem descrever o medo, a paz e a felicidade, basta se entregar à elas, sem temer, sem pudor e sem vaidade. Deixar levar-se pelo seu toque branco, seja da seda ou do luar.
É só entender que há sempre mais, há sempre além. A noite e a folha em branco não te mostram horizontes, não mostram porque não têm, são vastas e ao mesmo tempo que você as preenche, elas também preenchem você e te transformam.
Quero ser levada a noite pro infinito e ao levar meu infinito à tão nobre folha em branco.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Quando se atentar às coisas...verá

Blá, blá, blá, blá,
O que mais se vê são baboseiras expostas no ar,
São tantas que me perco nelas se pestanejar,
Sou guarda mor de minha astúcia pra não me acovardar.

São promessas, juras, injúrias, crendices,
Tantas idéias e imaculadas tolices
Desenham mapas, trilhas de ourives
Cujo ouro não terá valor jamais.

É...é isso! O Clima é um eterno Outono
Esse vai ou não vai,
As palavras são cão sem dono
E o esperto pesca aquilo que lhe Faz.

E no fim das contas as baboseiras é que tem valor,
Pois delas partem o furor
De grandes idéias e do riso de horror.
São parte do homem que assim, acalenta a dor.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Legado

Não há legado para se deixar no mundo,
Pelo menos nenhum que venha de meu ventre,
Ou pelo menos das minhas contas.

Na verdade me engano, deixo muitos
Estão em forma abstrata,
Alguns em forma de palavra,
Outros em forma de nada, estão apenas no ar.

Os que têm forma de segredo levo comigo,
Esses guardo há vinte chaves,
Levo também a dor que ruminei em vida,
É um chicletinho bem ruim, como aqueles
de sabor tuti-fruti de quitanda barata.

Pensando bem, não serão tantos assim,
Levarei mais coisas do que deixarei,
Mas com certeza um dos meus legados favoritos são as denúncias,
De tudo que tive vontade de denunciar,
principalmente em relação à vida, é isso,
Denuncio a vida, ou melhor, os infelizes que a tornam má,
ou pelo menos como eles a tornam má.

Legado, rezo para que eles sejam lembrados, utilizados,
Porque se morrerem comigo,
Morrerei em vão.

Não quero rochas, nem placas pra me nomearem no final
Quero palavras, folhas,
Quero principalmente citações e ações.
Pois é essa a riqueza de meu legado.

sábado, 22 de março de 2008

Ensaio sobre a Moral

É patético ver a ignorância mundial, e só me atrevo a usar uma palavra tão generalizada por conta do infeliz número que favorece essa deficiência.
O medo não é apenas o sentimento mais perigoso na balança da vida, masé também um pecado, pois cometê-lo sob certos aspectos leva à hipocrisia crônica e a morte súbita da felicidade própria e alheia.
Quando penso sobre a moral me pergunto qual a dificuldade das pessoas entenderem seu significado real, por que tanto se mistificou algo que é bem mais simples? Essa palavra - moral, ganhou um tamanho tão grande quanto a ignorância que a cerca.
Se a moral é relativa aos bons stos que devemos ter uns com os outros (e surgiu num tempo em que a liberdade total era vista com outros olhos), seria certo dizer que roubar, matar, destruir - são atos imorais. Os próprios mandamentos bíblicos e os pecados capitais, que surgiram bem mais a frente, são parte ou sinônimos de conduta moral, conduta sta que é constantemente deturpada por mentes que temem o julgamento alheio, gente que se esconde num modo falso de "vida correta", cujos pensamentos e idéias são superficiais e moldados por comandantes de um exército cuja causa é anular. Os nulos são mais manipuláveis e osespertos de ganância exacerbada sabem disso.
Na verdade, não sei mais se é correto usarmos essa palavra, moral, já que foi tão mal interpretada, mal usada pela história e pelas fraquezas humanas, tanto que se fala mais da falsa moral do que da verdadeira - esquecida.
Evitar, encriminar, julgar e maltratar a ação do outro sem conhecê-la; encher a pequena visão de pré-conceitos por não conseguir conceituar nada e pior que isso, não conseguir entender nada. Pessoas assim sempre tem o mesmo tipo de resposta para as perguntas: Porque sim! Porque não. Porque é o certo. Sempre foi assim.Porque é esquisito, é estranho. Isso é errado. Mas não conseguem se apronfundar, dar motivos reais, as frases são curtas porque o pensamento é limitado e acreditem - muitos não sabem pensar. Infelizmente a maioria não se libertadesse mal.
E no fim das contas a grande imoralidade do mundo é a ignorância das pessoas cuja cegueira não lhes permite enxergar mais que um palmo de luz e essa talvez seja o maior e iminente pecado.